Laparoscopia assistida por robô, em casos selecionados, com o Dr. Marcel Autran, cirurgião do aparelho digestivo com certificação em cirurgia robótica desde 2008, em São Paulo.

A pergunta chega muitas vezes junto com o laudo: dá para fazer por robô? Antes dela vem outra, que define o resto do plano: qual cirurgia o caso pede. Para o Dr. Marcel Autran, o robô é um modo de fazer a operação, e não uma operação diferente. A duodenopancreatectomia segue sendo duodenopancreatectomia; o que muda é o caminho até o órgão.

Por isso a via entra na consulta depois da doença: laudos e exames de imagem são revistos, a anatomia e a cirurgia possível vão para o desenho a lápis, e só então o planejamento considera a possibilidade de cirurgia robótica.

Foto cirurgia robótica

Em que casos o Dr. Marcel Autran indica a via robótica

A via robótica entra, em casos selecionados, nas cirurgias de pâncreas, fígado e vias biliares, sempre depois da avaliação do caso. A decisão depende do tipo e da localização da lesão, da extensão da cirurgia e das condições clínicas de cada paciente. Em parte dos casos, a cirurgia aberta continua sendo o caminho mais adequado.

  • Cirurgias de pâncreas: Duodenopancreatectomia (cirurgia de Whipple), com preservação do estômago como padrão, e cirurgias do corpo e da cauda do pâncreas.
  • Cirurgias de vias biliares: Colangiocarcinoma peri-hilar, com retirada de parte do fígado e dos canais da bile e reconstrução da passagem da bile até o intestino.

No fígado, a hepatectomia parcial, a retirada apenas da parte do órgão onde está o tumor, também pode ser feita por robô em casos selecionados, inclusive em metástases de tumores do intestino.

Leia também: Cirurgia robótica: o que é e como funciona

Como é a cirurgia laparoscópica assistida por robô

A cirurgia robótica é uma laparoscopia assistida por robô: pequenas incisões no abdome, câmera com imagem tridimensional ampliada e instrumentos que articulam como um punho. O cirurgião comanda as pinças a partir de um console, e o robô reproduz os movimentos em escala menor, com filtro de tremor. Nenhum gesto dentro do abdome acontece sem o comando de quem opera.

O Dr. Marcel Autran usa a palavra avatar para explicar a técnica ao paciente: no console, o movimento dele é amplo e controlado; dentro do abdome, o mesmo gesto chega reduzido às pinças, na medida do espaço entre órgãos e vasos.

Quem já fez cirurgia aberta no abdome pode operar por robô?

Uma cirurgia abdominal aberta anterior não impede, por si, a via robótica. As aderências deixadas pela operação antiga podem ser liberadas com o robô, e a indicação é decidida caso a caso, depois da revisão dos exames de imagem. O histórico cirúrgico entra no planejamento da mesma forma que o tipo e a localização da lesão.

Um dos trabalhos publicados por ele descreve a retirada robótica de parte do lobo caudado do fígado, por metástase que voltou depois de hepatectomia esquerda e cirurgia de intestino abertas (Surgical Oncology, 2024).

Leia também: Robotic partial resection of the caudate lobe for recurrent colorectal liver metastasis after open left hepatectomy and open rectosigmoidectomy

Toda cirurgia de fígado, pâncreas e vias biliares pode ser feita por robô?

A cirurgia robótica não serve a todo caso de fígado, pâncreas e vias biliares: a via é indicada em casos selecionados, e a escolha entre robô e cirurgia aberta sai da avaliação do caso. O robô também não muda a doença nem dispensa o tratamento oncológico. Na vesícula e no apêndice, a laparoscopia convencional segue como via.

Como é a recuperação da cirurgia robótica

Em casos selecionados, a cirurgia robótica permite precisão. Na conduta adotada no consultório, a operação se mede pelo dia da alta, e não pelo relógio do centro cirúrgico. Internação, volta à alimentação e retorno às atividades variam com a extensão da cirurgia e dependem de critérios clínicos.

Quando procurar avaliação para cirurgia robótica?

A avaliação para cirurgia robótica é indicada a quem já recebeu indicação de cirurgia de pâncreas, fígado ou vias biliares e quer saber se a via robótica cabe no caso. Também vale para quem tem cirurgia abdominal anterior. Laudos, exames de imagem e exames laboratoriais recentes tornam a primeira consulta mais objetiva.

Cirurgia robótica com o Dr. Marcel Autran

O Dr. Marcel Autran tem certificação em cirurgia robótica desde 2008 e opera por robô nos hospitais em que integra o corpo clínico, escolhidos pela estrutura que a cirurgia de alta complexidade exige. Em 2024, publicou nos Annals of Surgical Oncology o estudo sobre duodenopancreatectomia robótica cujo título resume a tese da prática: aumentar a complexidade, diminuindo as complicações.

Entre os trabalhos mais recentes estão hepatectomias robóticas para colangiocarcinoma peri-hilar, com reconstrução da via biliar (Journal of Gastrointestinal Surgery e Surgical Oncology, 2026), e a retirada com reconstrução da veia mesentérica superior durante a duodenopancreatectomia robótica (Journal of Gastrointestinal Surgery, 2021).

Leia também: Veja todos os artigos

Reúna laudos e exames de imagem antes da consulta.

Perguntas frequentes sobre cirurgia robótica

Não. O robô não tem autonomia: cada movimento das pinças parte das mãos do cirurgião no console. Por isso o nome técnico é cirurgia laparoscópica assistida por robô. O Dr. Marcel Autran usa a palavra avatar para explicar isso ao paciente: o gesto amplo no console chega reduzido às pinças dentro do abdome.

Tem. Como toda cirurgia de fígado, pâncreas e vias biliares, a operação por robô tem risco de complicações, que varia com a doença, a extensão da cirurgia e as condições do paciente, e é discutido na consulta. O robô muda o caminho de acesso ao órgão, não a doença nem a extensão do que precisa ser retirado.

Pode. Pacientes de outros estados e de outros países da América Latina chegam ao consultório, em frente ao Hospital Sírio-Libanês, em geral já com o diagnóstico. O primeiro contato pode ser feito pelo WhatsApp da equipe. Levar laudos, exames de imagem e exames laboratoriais recentes torna a primeira consulta mais objetiva.

Não. A via robótica muda o caminho de acesso ao órgão, não a doença. No câncer de fígado, de pâncreas ou de vias biliares, o oncologista clínico indica e conduz a quimioterapia, antes ou depois da operação, e as duas especialidades definem juntas a sequência de cada caso, seja a cirurgia feita por robô ou por via aberta.

Quanto antes avaliarmos, melhor o planejamento.

Dr. Marcel Autran Cesar Machado · MÉDICO · CRM-SP 70.330 · RQE 95617 (Cirurgia do Aparelho Digestivo) · RQE 956171 (área de atuação: Cirurgia Videolaparoscópica)

Conteúdo informativo. Não substitui a consulta médica.